06
Mai 09

 

«Sociedades Recreativas»
 
 
        «Foi no anno de 1848, que pela primeira vez no Barreiro se organisou uma sociedade philarmonica […] em consequência de rivalidades que se desinvolveram entre os associados, no anno de 1879 dissolveu-se esta philarmonica e de cada um dos grupos dissidentes brotou uma nova sociedade. Apezar de já decorridos bastantes annos, ainda não se extinguiu o desamor com que reciprocamente se mimoseam.
        Um dos grupos, em numero de trinta e quatro, no dia 4 d’agosto d’esse anno […] fundou a “Sociedade Marcial Capricho Barreirense” mais conhecida pela “sociedade dos francezes”.
        Tres dias depois, o outro grupo com trinta sócios […] instituía a Sociedade Philarmonica Barreirense, conhecida pela dos “penicheiros”.
        Esta ultima sociedade teve por sócio o Sr. Conde de Peniche […] e como sobre este titular e seus partidários rechaisse um certo ridículo proveniente da sua mallograda conspiração, o grupo opposto appelidou esta sociedade de “sociedade dos penicheiros”.
Conde de Peniche
        Por essa occasião, pouco mais ou menos, estava no maior auge a guerra franco-prussiana de que resultou ficar a França vencida; isso originou que por sua vez os “penicheiros” alcunhassem de “francezes” os seus contrários.
guerra franco-prussiana
[…]
        Nenhuma d’essas sociedades possue estatutos legalmente approvados, e um bom serviço prestaria a esta villa quem, dissolvendo ambas, […] formasse um só club, onde reunidos todos “penicheiros” e “francezes”, intimamente ligados…
[…]
        Tanto uma como outra sociedade funccionam em bons edifícios, adequados ao fim a que se destinam, com bilhares, pequenos buffetes e magnificas salas de reuniões.
        A Sociedade Philarmonica Barreirense possue um pequeno theatro de salla, onde já se têem dado grande numero de recitas.
        Annexa á outra sociedade há, do mesmo modo, um theatro magnifico; foi fundado […] para esse fim, no dia 25 de Fevereiro de 1880…
 
        O edifício d’este theatro foi feito exclusivamente para este fim…; possue um espaçoso palco com dois alçapões, plateia e duas ordens de galerias, tendo logares para centenas de espectadores.
        Este theatro foi inaugurado no dia 13 de Junho de 1881, com o notável drama o “Santo António”, admiravelmente desempenhado por curiosos quasi todos d’esta villa.
[…]
        Tanto uma como outra sociedade por varias vezes teem tido ensaeadores dramáticos permanentemente e ambas as bandas possuem excellentes professores»
 
In “Memoria Histórica e Descriptiva da Villa do Barreiro – José Augusto Pimenta - 1886

 

publicado por teresa às 21:45

 

«Praia»
 
        «A praia do Barreiro, a mais procurada de quantas existem ao sul do Tejo, podendo rivalisar com muitas das que são reputadas como as melhores do nosso paiz, é vasta, aceiada em si, completamente plana e recta, de fina areia branca, e sem uma única pedra que em qualquer momento possa servir d’embaraço á navegação.
        O limite norte e poente do concelho é formado pela praia, a qual, em consequência do grande movimento d’esta villa, está sempre povoada de muitos barcos pertencendo só ao Barreiro, vinte e quatro fragatas especialmente destinadas ao trafico do caminho de ferro do sul e sueste, além de quatorze barcos de pesca, entre grandes bateiras e bateis tripulados por doze a dezesseis homens cada uma, possuindo ainda, talvez cerca de vinte outros barcos de differentes lotações, que se entregam á cabotagem no rio, bem como ao transporte reciproco de passageiros entre Lisboa e o Barreiro.
        Toda a praia é muito abundante de differentes mariscos, sobresahindo a todos elles o excelente mexilhão e as deliciosas ostras.
[…]
        O Barreiro é muitíssimo concorrido na época balnear por grande numero de famílias do Alentejo e da capital; não obstante as aguas da sua praia serem pouco agitadas, com tudo é este o motivo principal porque muitos a procuram de preferência.
        Uma das maiores necessidades d’esta villa, e que já se vae tornando quasi que urgente, é a construção d’uma muralha em todo o comprimento da praia…
[…]
 
        Esta praia é formada pelas aguas do Oceano, que, penetrando impávidas pelo largo canal da barra, formam o magnifico porto de Lisboa, enchendo esta formosa bahia, que banha o Barreiro, e onde vém turvar-se as crystallinas aguas do Tejo.
        É deslumbrante e esplêndido o panorama que se desfruta d’este ponto e que não tem a mais pequena analogia com o de nenhuma outra praia do paiz…
[…]
        El-rei D. Luiz na sua ultima visita ao Barreiro, realisada em 15 de Janeiro de 1877, percorrendo quasi toda a praia, a pé, ficou deveras surprehendido com a agradável perspectiva que apresenta Lisboa, vista a esta distancia;…»
 
In “Memoria Histórica e Descriptiva da Villa do Barreiro” – José Augusto Pimenta - 1886
publicado por teresa às 20:39

Conde de Ferreira

 

Joaquim Ferreira dos Santos, o Conde de Ferreira nasceu a 4 de Outubro de 1782 no Porto e faleceu também nesta cidade a 24 de Março de 1866, tendo sido um comerciante e filantropo português.

 

Esteve muitos anos no Brasil e em África onde mantinha negócios e de onde regressou com uma enorme fortuna.

 

Como filantropo fez construir 120 escolas primárias em Portugal e deu valiosos donativos à Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e à do Porto, assim como a outras instituições de beneficiência.

 

Tendo contribuído financeiramente para a causa de D. Maria II, a rainha fê-lo barão em 1842, visconde em 1843 e conde em 1856.

 

Com o que sobrou da sua herança, foi fundado no Porto um hospital para doentes mentais a que deram o seu nome.

publicado por teresa às 20:29

05
Mai 09

 

«Instrução»
«As escola officiaes do Barreiro funcionam em bons edifícios, expressamente construidos para o fim a que se destinam, e que reúnem todas as condições aconselhadas pela hygiene.
        A do sexo masculino foi edificada em 1870, segundo as disposições testamentárias do benemérito Conde de Ferreira; este titular, possuidor de extraordinária fortuna, falleceu no Porto no dia 24 de Março de 1866.
 
        Este homem, que póde ser classificado entre os maiores beneméritos da sociedade portugueza, foi arguido durante a sua vida de haver praticado algumas faltas, cujo fundamento desconhecemos; mas, se effectivamente algumas commeteu, resgatou-as bem ao partir d’este mundo, legando-nos um testamento que é uma verdadeira maravilha.
        Como consequência d’este admirável documento differentes estabelecimentos de beneficiencia, do paiz, agradeceram a offerta de cento e sete contos de réis […] e a instrução popular recebeu a verba de cento e quarenta e quatro contos com os quaes edificou cento e vinte escolas de ensino primário…
[…]
        A Câmara Municipal do Barreiro é n’este ponto merecedora de elogio, porque foi uma das que, […] abriu o seu cofre para ampliar a idéa do benemérito Conde.
        O outro edifício, de proporções mais vastas e melhor dividida, destinado ao sexo feminino, foi construído exclusivamente a expensas do cofre do município, no anno de 1878.
        Estas duas escolas officiaes são as chamadas “escolas regias”; foi o […] Marquez de Pombal quem […] reformou a instrução pública em Portugal [em 1772], deu aos professores de instrução primaria o nome de “mestres regios”.»
 
 
 
In “Memoria Histórica e Descriptiva da Villa do Barreiro” – José Augusto Pimenta - 1886
publicado por teresa às 12:46

 

«Joaquim António de Aguiar»
«Joaquim António de Aguiar (Coimbra, 24 de Agosto de 1792 – Lavradio, 26 de Maio de 1884) foi um político português do tempo da Monarquia Constitucional e um importante líder dos cartistas e mais tarde do Partido Regenerador.
[…]
        Seguiu os estudos universitários e foi lente de Leis. Não herdou bens de fortuna, nem títulos nobiliárquicos porque os seus pais eram de condição humilde; recebeu, porém, uma educação esmerada e a cultura do seu elevado espírito, que lhe granjearam nome e posição…
        Foi por três vezes chefe de Governo de Portugal […]. Ao longo da sua carreira política assumiu várias pastas ministeriais…
[…]  Foi no exercício dessa função que promulgou a célebre lei de 30 de Maio de 1834, pela qual declarava extintos “todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios, e quaisquer outras casas das ordens religiosas regulares”[…] Essa lei […] valeu-lhe a alcunha de o “Mata-Frades”.
        [Joaquim António de Aguiar] conseguiu demonstrar a sua capacidade reformista decretando a reorganização dos municípios…
        […] Joaquim António de Aguiar fez jus à sua fama de reformador, aprovando a lei da reforma eleitoral que pretendia garantir a liberdade do voto e punir a corrupção e o caciquismo que dominavam avassaladoramente os actos eleitorais.
        Joaquim António de Aguiar foi sempre um homem de hábitos simples, recusando os títulos e mercês com que pretenderam honrá-lo…
        Faleceu a 26 de Maio de 1884, na sua Quinta de São Marcos, então freguesia de Santa Margarida do Lavradio, concelho do Barreiro, nos arredores de Lisboa…»
 
 Wiquipédia
 
A nossa Rua Aguiar deve o seu nome a este senhor.
 
 
publicado por teresa às 12:21

04
Mai 09

 

«A Muleta de Pesca»
 
 
«Entre os variados typos de embarcações portuguezas possui certamente um original sabor artístico a “muleta” usada pelos pescadores do Seixal e do Barreiro, para o lançamento da muito antiga rede de arrastar o reboque pelo fundo, denominado “tartaranha”.
        A muleta tem o fundo largo e chato; a proa excessivamente boleada, remata em arrufado beque; a popa, muito inclinada, recua em cima; característicos estes que, juntos ao grande amassamento dos flancos, dão ao casco o aspecto de uma tosca “navela” normanda do século XIII.
[…]
      
  As muletas largam a rede próximo da embocadura do Tejo, no começo da enchente, e, mareando o panno, vão caindo ao longo da costa da Trafaria e margem sul, montando o pontal de Cacilhas e continuando a derivar pelo Mar da Palha, até terem completado o lance, recolhendo então a rede, e apanhando o peixe que vem no sacco. Outras vezes, arrastam fora da barra, desde o largo da enseada de Entre Cabos. Este typo de embarcações vae acabando, a ponto de actualmente existirem apenas duas. Tem sido substituído pelos modernos “bateis”, que pescam pelo mesmo systema.
 
 
No museu de archeologia naval de Paris, há um modelo reduzido da nossa muleta, que o ministério da marinha offreceu áquelle estabelecimento; e mais dois outros modelos figuram nas colecções da escola naval, e do museu marítimo da escola industrial “Pedro Nunes” de Faro.
[…]
A muleta de pesca, pela sua forma exquisita e pittoresca, e pelo gosto artístico que revela, tem sido representada em modelos, desenhos, gravuras e aguarellas, merecendo a predilecção de muitos admiradores da sua belleza entre os quaes se contam o finado Rei D. Luiz, El-Rei D. Carlos, …»
 
Baldaque da Silva
Arte Portugueza. Maio de 1895

 

publicado por teresa às 16:04

 «A Industria Corticeira»

 
«Esta industria, sem duvida a mais genuinamente portugueza que existe entre nós, atravessa no momento actual uma crise tremenda, assustadora!
        A Imprensa e as associações de classe teem por varias vezes reclamado energeticamente contra o desprezo votado pelos sucessivos governos aos interesses da referida industria; porém até agora nada teem conseguido, o que é deveras para lamentar.
        […] E, no entanto, toda a gente sabe que a industria corticeira é hoje uma das primeiras do nosso paiz, e talvez a que mais rendimento pode trazer ao estado e ao commercio, pela larga exportação que d’este producto se faz para o estrangeiro.
[…]
        E nestas circunstamcias, grande numero de operários teem emigrado para terras longínquas e desconhecidas, fugindo à miséria que os ameaça de perto, deixando, sabe Deus com que magua, nas mais precárias condições, debatendo-se talvez já com fome, as famílias que abandonaram!
        Assim, os operários corticeiros, d’esta villa, reunindo-se na ultima terça-feira, na casa da sua associação, e depois de vários alvitres apresentados por alguns dos seus associados, entre os quaes o de effectuar-se uma grande manifestação collectiva junto do ministério da fazenda, e caso não conseguissem os seus desejos, promoverem a greve geral em todo o paiz.
[…]
        A guardamos os resultados, que, esperamos, serão satisfatórios»
“O Sul do Tejo” – 26-11-1893
 
 
Será que este artigo não nos fará lembrar alguma coisa ligada à actualidade no ramo da cortiça? Passam-se os anos e...
publicado por teresa às 15:39

30
Abr 09

 

«UMA CATASTROPHE FERRO-VIÁRIA»
«O Descarrilamento do comboio do Sul na tarde de 16 de Dezembro»
 
«Por um engano de agulha, o comboio que sahe ás 5 horas e 34 minutos da tarde do Barreiro para Vila Real de Santo António, e que era constituído por duas carruagens de 3ª classe, duas de 2ª, uma de 1ª, vagon restaurante e salão, em logar de encaminhar-se pela linha directa entrou na chamada linha de “saeco” ou de reserva, vindo a pesada locomotiva esbarrar no cães a toda a velocidade, entrechocando-se os vagons, cujos tejadilhos voaram em estilhaços. A machina ficara com a parte dianteira completamente esmigalhada e o comboio reduzido a um montão de destroços.
        O clamor dos passageiros aterrados e os lancinantes gritos dos feridos davam ao desastre as trágicas aparências de uma catastrophe.
        No comboio seguiam vinte passageiros. É fácil de calcular o terror que de todos se apoderou. O pessoal, que se encontrava na estação, correra imediatamente para o local do desastre e, passados os primeiros momentos de pânico, auxiliado por alguns passageiros e empregados que seguiam no comboio, tratara de prestar os primeiros socorros. Tudo parecia indicar que sob aquelles escombros havia numerosas victimas. A locomotiva, que subira á plataforma, onde derrubou a “marquise” de zinco e ferro levava uma velocidade de 59 kilometros á hora quando, subitamente lhe haviam faltado os “rails” debaixo das rodas. Entretanto com excepção de três passageiros de 3ª classe e do guarda-freio, mais ou menos gravemente feridos, não havia a lamentar quaesquer victimas. Os próprios machinista e fogueiro, arremessados a grande distância, apresentavam apenas leves contusões. Inexplicavelmente de toda aquella amalgama de ferro e madeira, a fragilidade humana sahira incolume.
        É esta scena dramática, iluminada ao clarão vermelho dos archotes, que Jorge Colaço, chegado occasionalmente á estação da Moita n’um comboio descendente, momentos depois do desastre, soube tão impressivamente reproduzir no “croquis” magnifico com que gentilmente brindou a “Ilustração Portugueza”».
 
In “Ilustração Portugueza”, Lisboa 31 de Dezembro de 1906
publicado por teresa às 21:02

 

CAMINHO DE FERRO DO SUL E SUESTE
 
«Ainda que tentássemos, ser-nos-hia impossível fazer a historia d’este caminho de ferro. Para se poder descrever minuciosamente as differentes phases que elle tem experimentado, para bem se poder apreciar as altas e importantíssimas discussões que a seu respeito se teem suscitado, seria necessário um estudo profundo e demorado, que certamente exorbitaria a esphera dos nossos conhecimentos; e quem a isso se propozesse teria de escrever longos volumes.
        […] limitar-nos-hemos portanto a tocar simplesmente alguns pontos mais capitaes ou que mais intimamente se relacionem com os interesses d’este villa.
            É ao grande estadista Joaquim António d’Aguiar, que tanto se interessava pelo bem estar d’esta terra, que o Barreiro deve, inquestionavelmente, o extraordinário beneficio de ser a estação “terminus” do caminho de ferro do sul e sueste.
        Por carta da lei de 7 de Agosto de 1854, approvando um contracto feito pelo governo em 24 de Julho d’esse mesmo anno, foi determinada a construcção d’uma linha férrea, ao sul do Tejo, partindo de Aldegallega a Vendas Novas.
 
        Em resultado, porém, de difficuldades que surgiram, e especialmente por influencia do ministro que por tanto tempo patrocinou o Barreiro, appareceu, em 26 d’esse mesmo mez e anno, outro decreto approvando um contracto addicional, no qual se determinava que a estação “terminus” d’esta linha fosse no Barreiro.
        Assim sucedeu, e no dia 1 de Fevereiro de 1861, foi este caminho aberto ao publico, tendo apenas 19 kilometros em exploração, 56 na linha principal e 13 no ramal de Setúbal, havendo a companhia constructora chamada “brazileira”, recebido do governo, a título de subvenção, a importância de 551:893$676 réis, além de madeiras no valor de 359:480$454 réis.
        Pela lei de 29 de Maio de 1860, foi approvado o contracto feito pelo governo, em 3 de Janeiro d’esse anno, para o prolongamento do caminho de ferro de Vendas Novas a Évora e Beja, com John Sutherland Valentine, como representante de uma companhia ingleza, que tomou o nome de “Companhia do caminho de ferro do sueste de Portugal”, recebendo esta empreza a quantia de 1.970:688$000 réis.
        Com esta mesma companhia fez o governo outros differentes contractos; […]
        Tendo, porém, esta companhia faltado a todos ou pelo menos á grande maioria das clausulas dos seus contractos, foram estes rescindidos por decreto de 23 de Maio de 1866 e, depois de renhida lucta, tomou o governo, em 12 de Março de 1869, posse de tudo quanto era inherente não só ao caminho de ferro como a todas as linhas que estavam em construção.
[…]
        A primitiva estação principal d’este caminho foi construída a cerca d’um kilometro ao sul da villa, e ainda se conserva; é um magestoso edifício que mede 68 metros de largura por 95 de fundo, incluindo o grande terraço que lhe fica na frente e para o qual se sobe por duas amplas escadas lateraes de cantaria; este edifício ocupa uma área de 6.460 metros quadrados, tendo só a gare 32 metros de largo por 67 de comprido.
        O local escolhido para a sua edificação foi péssimo; primeiramente, os passageiros que de Lisboa se dirigiam para este caminho, desembarcavam na ponta do Mexilhoeiro e tinham de percorrer a pé um extenso areial de cerca de dois kilometros, antes de chegarem ao local onde deviam metter-se no comboio; mais tarde começou o vapor a ir lançar os passageiros mesmo defronte da estação, mas ainda assim o incommodo não era menor, pois que passavam do vapor para pequenos barcos que os vinham lançar em terra, tendo ainda de percorrer, a pé, uma certa distancia até á estação.
        Ulteriormente procuraram remover estes inconvenientes construindo uma extensa ponte de madeira, com trezentos e quarenta metros de comprido, que unia o caes com o ponto onde o vapor podia chegar, a qual foi demolida quando se terminou o grande aterro ultimamente construído, em cuja extremidade se edificou a nova estação.
        D’esta ponte, desapparecida já há uns bons seis annos, ainda hoje nós, os barreirenses, possuímos uma onerosa recordação – o celebre imposto de 40 réis (que ainda hoje se paga) lançado sobre o preço de cada bilhete vendido no Barreiro ou para o Barreiro, com o fim de occorrer ás despezas da conservação ou mesmo da sua construção!
        É difficil explicar a existência d’este imposto, na actualidade depois de cessar a causa que o motivou.»
[…]
J. A. Pimenta - 1886

 

publicado por teresa às 14:43

23
Abr 09

 

 O Futebol Clube Barreirense fez, a 11 de Abril de 2009, 89 anos de existência. Por este facto achei bom saber-se um pouco da sua história. 
 
 
 
«O F.C. Barreirense nasceu numa humílima casita apenas duma porta só e sem janelas que ainda existe na Rua Conselheiro Serra e Moura, nº 139 [actual Rua Almirante Reis] em cuja parede ainda há pouco se podia ler esta inscrição gravada numa lápide marmória:
 
«FOI NESTA CASA QUE EM 11/4/911 SE FUNDOU O F. C. BARREIRENSE PARA HONRA DA NOSSA TERRA E GLÓRIA DO DESPORTO NACIONAL»
11/4/945
 
            Pouco tempo depois o Barreirense mudava-se para o Largo do Rompana, nº 72 – 1º onde também não permaneceu muito tempo.
            A terceira sede do Barreiro viria a ser num rés-do-chão na Rua Aguiar nº 146 que, embora a exiguidade das instalações, reunia muito melhores condições. Também aqui se manteria por pouco tempo.
            Sempre procurando uma casa digna do Clube, que se afirmava dia após dia, o Barreirense mudou-se para o nº 45 da mesma Rua, ocupando desta vez o 1º e o 2º andares.
            Em 1918 voltava a mudar a sua sede para um 1º andar desta mesma Rua Aguiar.
            Em cinco anos volvidos (10 de Junho de 1923) inaugurou finalmente uma sede condigna para a época com entrada pela Rua Aguiar, nº 150, 1º andar, mas cuja frente, bastante ampla, dava para o Largo Gago Coutinho e Sacadura Cabral (Largo do Casal).
            Veio então o período em que o Futebol Clube Barreirense se viu forçado a passar com “armas e bagagens>” para Lisboa e, não deixando jamais esta casa no Barreiro, que passou a funcionar como uma sua filial, abriu sede na capital que funcionou de emergência, primeiro na Rua D. Estefânia, nº 92 r/c Dtº e depois na Travessa de Santo António à Graça, 2-A.
            Em 31 de Julho de 1932 a sede do Barreirense passou a funcionar, ainda em Lisboa, na Rua da Assunção, nº 42, 2º Dtº e, em 6 de Agosto de 1937 teve a sua última sede na capital, na Rua Pascoal de Melo, nº 58, 4º Dtº.
            Com o seu regresso à Associação de Futebol de Setúbal, voltou à sua antiga Sede na Rua Aguiar nº 150, para em 1939 se mudar para a Rua Dr. António José de Almeida nº 18 (Chalet Rebello), cujo edifício possuía dois pisos.
            O Barreirense tornou a mudar a sua residência em 6 de Abril de 1940, desta vez para a Rua Marquês de Pombal, nº 154, 1º, em cujo rés-do-chão esteve instalado durante longos anos o Café Barreiro e, finalmente, em 20 de Maio de 1956, com a inauguração do Ginásio-Sede ficou a funcionar em edifício de sua propriedade.

            Uma colectividade que foi também, para quantos a dirigiram, uma epopeia de duros sacrifícios, de anseios, de sonhos e de inquietações mas que, graças a uma dominadora persistência, soube vencer as mais tenebrosas procelas, enfrentar injustiças e vilipêndios para que mesmo as mais modestas aspirações daqueles que lhe tinham dado vida não se ficassem por um feixe de ideações ficcionistas. Aliás souberam transvertê-las numa espantosa realidade. Tinha nascido o Futebol Clube Barreirense»

 

 

José Rosa Figueiredo

 

publicado por teresa às 11:52

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